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1a Publicação |
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Psicologia do Gordo |
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Coluna |
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As pessoas tem diferentes maneiras de encarar seu excesso de peso. Tenho observado que, curiosamente, os tipos de reações à própria gordura são comparáveis às reações que as elas costumam ter quando confrontadas com eventos trágicos ou traumáticos. Uma das reações mais comuns do neo-gordo é a auto-ridicularização. Desconfortável com sua situação, o gordo ri de si próprio. Ri como aqueles personagens nos filmes de tubarão que riem quando sabem que vão morrer, ou seja, é uma reação irracional e incontrolável que resulta de uma situação inevitável. É a histeria. Para o gordo, é tão certo que será ridicularizado quanto o personagem do filme será devorado por um tubarão. Então ele toma a inciativa e diz coisas como “minha mulher tem dois grandes momentos de prazer: quando ela chega ao orgasmo e quando eu saio de cima.” Num segundo momento os gordos procuram alguma racionalização que justifique seu estado físico e os exima de culpabilidade. É o estágio da revolta e da raiva que leva à necessidade de pôr a culpa em alguem. Para mim, o melhor exemplo disso veio num almoço de família em minha casa. Todos repararam que aquela Tia estava bem mais “forte” quando chegou ao almoço. Quando seu irmão fez um comentário à respeito, ela justificou “é um problema de hormônio.” Gozador que é, ele não perdeu a piada e completou: “Então corta um pedaço deste hormônio de chocolate que você está comendo pra mim.” Há ainda os gordos que ao ouvirem algum comentário sobre sua condição, os repudiam. Você engordou? “Absolutamente, estou perfeitamente dentro do meu peso.” Este é conhecido como estado de negação. Estes gordos simplesmente não reconhecem qualquer fato ou opinião que leve à conclusão de que são gordos. É comum ouvi-los dizerem que “a balança está quebrada” ou “minha calça encolheu”. Por fim, há os que realmente não se importam com a própria gordura. São aqueles que dizem: “Estou com meu corpo super bem definido: defini que vai ser uma merda e continuo firme.” Este é o estágio da aceitação em que a vítima aceita sua nova condição e toca a vida pra frente. Um ótimo exemplo veio de um amigo que acabara de ingressar nos Vigilantes do Peso e disse “Agora que estou vigiando, nenhum quilo vai me escapar.” Que todos nós gordos possamos chegar a este maravilhoso estágio! Vamos reconhecer que os modelos de beleza magra são passageiros, que os gordinhos são mais gostosos e aconchegantes, e que quem é gordo tem mais prazer no dia a dia do que seus colegas magros. Vamos celebrar a gordura!
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