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1a Publicação |
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A regra do pãozinho |
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Coluna |
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Você conhece a “regra do pãozinho.” A regra diz: se o pãozinho que vem no couvert estiver fresquinho e quentinho, o restaurante é bom. Veja bem, a regra não menciona a sofisticação do pãozinho. Não precisa ser um croissant ou ciabatta - pode ser até mesmo um pãozinho francês de padaria - mas precisa estar fresco e quente. A afirmação soa, no primeiro momento, como uma simplificação absurda que tende ao preconceito. Mas não é que funciona? Pelo menos no que diz respeito à qualidade da comida, minha experiência é que a regra do pãozinho é quase uma lei. Não sei quem bolou a regra – se foi por observação ou por teorização – mas pensei muito a respeito e acho que, hoje, sou capaz de explicá-la. A regra do pãozinho é, em sua essência, uma medida da atenção dada aos pequenos detalhes que costumam distinguir o soberbo do medíocre em se tratando da comida. A culinária é uma arte de nuanças na qual uma pitada a mais ou a menos de determinado tempero pode transformar o resultado. E na qual o manuseio particular de um ingrediente durante determinada etapa pode fazer toda a diferença. E, se o pãozinho vem fresquinho e quentinho é porque está sobrando capricho. Não é uma regra infalível. Há alguns poucos falsos positivos. Ou seja, há casos em que o pãozinho cumpre a regra e, ainda assim, a comida não é boa. São casos em que o tipo de atenção que descrevo – uma atenção carinhosa – é substituída pela precisão mecânica. A boa culinária tem a afeição como ingrediente básico, seja com a própria comida ou com o consumidor. Funciona como no filme “Como Água Para Chocolate” em que a protagonista transmite suas emoções a quem prova suas iguarias. Por outro lado, nunca me deparei com um falso negativo. Nunca estive em um restaurante com pãozinho amanhecido ou gelado em que a comida fosse realmente boa. A regra do pãozinho pode lhe servir de muitas formas. Quando for a um restaurante, por exemplo, espere o couvert chegar antes de fazer o pedido. Se estiver ruim, peça a conta e vá embora antes de se decepcionar. A regra pode ajudar também a quem cozinha pois oferece uma alerta: se não tiver disposto a dar de si, em tempo e carinho, ao que se está preparando, é melhor nem tentar.
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