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1a Publicação |
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Tempo para cozinhar |
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Coluna |
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Costumo ser bastante contundente em relação aos produtos dietéticos e light, mas devo reconhecer que há outro grande vilão que ameaça a arte da culinária na vida moderna: o tempo. Na atualidade, o tempo para se dedicar ao preparo de uma deliciosa refeição tornou-se escasso. Compramos salada pré-lavada, batata pré-cozida, cheiro verde pré-cortado e carnes pré-preparadas, tudo com cheque pré-datado. Antecipamos tudo e raramente pausamos para refletir sobre o custo de nosso imediatismo. Antes tartaruga do que lebre! Podem tardar, mas quando finalmente chegam é com estilo e pompa imbatível. É melhor comer um jantar maravilhoso às nove e meia da noite ou engolir qualquer coisa que demore menos de quinze minutos para poder assistir a novela das oito? Acho que o problema está no valor que atribuímos a diferentes atividades. Em algum momento da história recente, atividades mundanas como vegetar em frente à televisão, ler jornal e navegar a internet conseguiram superar, em nosso ranking de valores, o preparo dos alimentos que ingerimos. Enganamos nossa consciência com falso orgulho dos atalhos que trilhamos para que aceite esta perversão de nossos valores. “Puxa, esta feijoada enlatada está realmente ótima e só demorou dez minutos para fazer!” Tudo que é muito fácil ou rápido perde valor em nosso subconsiente, então, para compensar esta perda, supervalorizamos o tempo poupado. Como todas as outras drogas, os alimentos pré-preparados seduzem gradualmente. Tudo começa com um pré-lavado ou um pré-cortado quando a pessoa está atrasada – ah, poupa um tempão e não faz diferença! Na vez seguinte, a pessoa já compra um pré-temperado ou um semi-pronto – o gosto é quase o mesmo. No triste caminho da dependência, o viciado sacrifica seus padrões de qualidade em nome da conveniência aos poucos até que esteja disposto a comer qualquer coisa contanto que o preparo seja rápido. “Fiz esta lasanha congelada em apenas cinco minutos!” (O viciado nunca abandona o uso do verbo fazer mesmo quando o “fazer” consiste em furar o plástico e ligar o microondas). A vítima jamais se dá conta dos danos irreparáveis que está causando ao seu paladar. Aos poucos, se torna incapaz de distinguir um lanche no McDonald’s de um jantar no Fasano. Qual será a próxima evolução desta tendência? Que tal uma linha de alimentos pré-digeridos para quem realmente não tem tempo a perder – é só abrir e jogar direto na privada. Caros leitores, saibam que, como diz o ditado, metade do prazer está em chegar lá. Pensem no ato do amor. A rapidinha até tem seu valor, mas o prazer é muito maior quando aproveitamos plenamente o meio antes de nos permitirmos chegar ao fim. Assim na culinária, metade do prazer está em sentir os diferentes aromas dos alimentos se misturarem em uma panela, em presenciar a metamorfose visual dos ingredientes e na antecipação do prazer que está por vir. Sem falar nas provadinhas que são privilégio do cozinheiro. Ofereço-lhes um exercício prático no prazer de preparar. Façam a seguinte receita e procurem saborear os momentos de antecipação antes de finalmente deglutirem o resultado. Depois, me digam se foi bom pra vocês.
Roast Beef com Batatas
Ingredientes: 1 peça de Roast Beef (Alcatara – aproximadamente 1 kilo) ½ litro de Coca-Cola (normal) ½ copo de uisque 1 copo de azeite ½ copo de molho de soja (shoyu) 1 colher de sopa de molho inglês 2 colheres de sopa de alecrim fresco 2 colheres de sopa de gergilim 3 dentes de alho 1 copo de farinha de trigo 2 colheres de sopa de manteiga 6 a 8 batatas frescas cortadas em cubos 2 cebolas picadas sal
Modo de Fazer: 1. Coloque o Roast Beef em um recipiente e acrescente a Coca-Cola e uisque de modo que a carne fique totalmente imersa no líquido. Reserve coberto na geladeira por um mínimo de quatro horas. Prepare o marinado. Em um liquidificador, misture o azeite, molho de soja, molho inglês, alecrim, gergilim e alho e reserve (também por um mínimo de quatro horas). 2. Após quatro horas, retire a carne da Coca-Cola com uisque permitindo que o fluido escorra por alguns segundos (mas não lave ou passe água). Bata o marinado mais uma vez no liquidificador. Coloque a carne e o marinado em um recipiente menor de modo que a carne fique totalmente imersa no marinado. Reserve por um mínimo de 24 horas (de preferência 48). 3. Passado este tempo, coloque a farinha em um prato raso. Retire a carne do marinado e deixe que o fluido escorra por alguns segundos (mas não lave ou passe água). Em seguida, passe a carne na farinha até que fique totalemente coberta. Retire o excesso de farinha batendo um pouco na carne. 4. Em uma frigideira, esquente a manteiga em fogo alto até que ela começe a dourar. Coloque a carne na frigideira e frite todos os lados da peça até a farinha encrostar. 5. Coloque a peça de carne numa assadeira grande e misture as batatas e as cebolas (com sal à gosto) em volta da peça. Cubra a assadeira com papel alumínio (fure o papel com um garfo na área do Roast Beef e coloque-a num forno pré-aquecido á temperatura máxima. Deixe assar por aproximadamente 30 minutos. 6. Retire do forno e sirva para quatro pessoas que souberam esperar. |
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