Veículo:

VIP

 

Ediçâo:

No. 217

Págs. 70-73

 

Data:

05/2003

Dicas para roer a Big Apple até o caroço, do jeito que os nova-iorquinos fazem: sem cerimônia, sem maltratar o bolso e sem medo de se entupir de calorias

 

                 Fui ao Nobu e não encontrei a Gisele Bündchen. Embora a comida no mais badalado restaurante japonês de Nova York estivesse sublime (em especial o famoso black cod), não pude deixar de me sentir lesado. Assim como sou lesado toda vez que ligo para a Embratel e a Ana Paula Arósio não atende. Afinal, o japa é conhecido, entre outros motivos, por ser o predileto da top. Nova York é muitas coisas para muitas pessoas. É Broadway, o palco mais conceituado das artes cênicas. É Guggenheim e tantos outros museus dedicados aos mais variados temas. É sede da NYSE e da ONU, centros respectivamente financeiro e político do mundo. E é Madison Avenue, a maior e mais cara vitrine comercial de que se tem conhecimento. Eu sempre considerei Nova York o melhor lugar no mundo para se comer.

                 Não há em nenhuma outra cidade representação tão qualificada e concentrada de todas as culinárias do mundo. Desde o próprio Nobu a fabulosos franceses (como o Alain Ducasse e o Daniel), passando por clássicos (como o Peter Luger) e ecléticos (como o escandinavo Aquavit). Mas sentado no Nobu, saboreando alguns dos melhores pratos da minha vida, algo me pareceu errado, além da ausência da Gisele. E me ocorreu que ali talvez faltasse alma.

                 Por baixo da casca cosmopolita, Nova York tem a sua alma. Ela é rude mas cheia de nuanças, grosseira mas afável à sua maneira, e multinacional mas definitivamente não cosmopolita. A melhor maneira de conhecê-la é comendo suas mais típicas comidas nos lugares onde ela é apreciada por seus anciãos. O que segue, portanto, é um guia do que há de mais autêntico em Manhattan. Não é para turistas deslumbrados ou moças delicadas, mas garanto que qualquer nova-iorquino que se preze assinaria embaixo. E, não custa lembrar, é uma programação que sai bem mais em conta para quem ganha em real e fica se torturando com a conversão cambial cada vez que faz um lanche.

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