O Brasil integrasse a Alca?

                

                 Dinheiro e produtos circulando de um país para outro livremente. Prateleiras repletas de produtos importados, empresas fechando ou mudando de ramo e novos mercados para as exportações. Integrar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) teria esses e outros efeitos imediatos sobre a economia e a vida dos brasileiros. O acordo, que vem sendo negociado desde 1994 e deve estar concluído em 2005, envolve 34 países – incluindo os Estados Unidos, cuja economia equivale ao triplo de todas as demais – e pretende remover boa parte das barreiras ao comércio no continente, liberando a circulação de bens e serviços entre todos os países signatários.

                 Mesmo presumindo que as regras finais do acordo equilibrem as demandas de todos os parceiros – ou seja, que cada país permita um acesso ao seu mercado interno proporcional ao espaço que terá nos mercados de outros países –, algumas empresas brasileiras que não conseguissem competir com os preços ou a qualidade dos produtos estrangeiros correriam o risco de desaparecer. Na lista dos prejudicados estão fabricantes de brinquedos, informática, componentes eletrônicos, máquinas e equipamentos industriais, farmacêuticos e eletroeletrônicos. Nesses segmentos, o consumidor pode sair ganhando com a oferta de produtos mais baratos e melhores. Enquanto isso, produtores de aço, calçados, alguns alimentos processados, vestuário, carne bovina e produtos agrícolas como a soja e a laranja continuariam fortes por aqui e, de quebra, venderiam muito mais lá fora. Além disso, o desembarque de mais dinheiro e tecnologia estrangeiros no Brasil fomentaria a criação de indústrias e aumentaria a eficiência das que já existem.

                 No início, a combinação desses efeitos causaria uma baita confusão: de um lado haveria falências e desemprego e de outro novas vagas e gente faturando alto. Mas é impossível dizer se o balanço desses movimentos seria positivo ou negativo no longo prazo.

                 Isso vai depender da iniciativa, criatividade e eficiência de cada brasileiro e das nossas instituições. Qualquer previsão menos ambivalente é mais ideologia do que fato. As previsões otimistas vêm daqueles que acreditam na livre concorrência como estímulo natural e benéfico para o desenvolvimento econômico. As pessimistas, dos que crêem que é melhor o governo direcionar esse desenvolvimento.

Veículo:

Superinteressante

 

Ediçâo:

No. 186

Pág. 31

 

Data:

03/2003

Text Box: Sexo, Grana e Comida
Cada um tem a sua prioridade

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