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Somos Uma Família |
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Remédio relacional
Interagir com a família também beneficia a saúde física. O cardiologista americano Dean Ornish, autor de Amor e Sobrevivência, é pioneiro no estudo da ligação entre bons relacionamentos e saúde. Ele estima que pessoas com poucos vínculos emocionais satisfatórios em suas vidas têm de três a cinco vezes mais probabilidade de adoecer e de morrer prematuramente que as demais. Assim como no caso da saúde mental, os benefícios valem tanto para quem dá carinho como para quem recebe. Segundo Ornish, a família não é a única fonte dessas sensações — até mesmo um bicho de estimação funciona de forma positiva —, mas é a melhor. “Em família é mais fácil encontrar relacionamentos de qualidade duradouros em número suficiente”, diz o médico. Segundo a doutora americana Candace Pert, pesquisadora de medicina na Universidade de Georgetown e autora do livro Molecules of Emotion (Moléculas de emoção), os sentimentos positivos induzem a liberação de dois tipos de hormônio: o que estimula a produção de células do sistema imunológico — contribuindo assim, decisivamente, para a prevenção de doenças — e o que retarda o envelhecimento. Os pesquisadores do Instituto HeartMath, na Califórnia, dizem mais: as emoções recompensadoras estabilizam o ritmo do coração, proporcionando melhor saúde cardiovascular. Mas não precisamos da ciência para nos dizer que o carinho da família tem o poder de curar. Sabemos disso desde a primeira vez que nos machucamos na infância e o famoso “beijinho da mamãe” ajudou a aliviar a dor. Tampouco precisamos de pesquisadores para saber que dar atenção à família é gratificante. Duas vezes por semana, saio do trabalho e vou fazer natação com a Luiza, que está com 2 anos. Ao brincar com ela na piscina, esqueço todos os problemas e tensões do escritório. Ela se delicia na água, mas acho que eu acabo ganhando mais com as aulas do que ela. É melhor que qualquer remédio anti-stress. Mary Figueiredo Arantes, designer mineira de 46 anos, concorda comigo. “Almoçar em casa com a família todos os dias é o maior privilégio que tenho”, diz. “Depois de uma hora de relaxamento no meio do dia, volto para o trabalho revigorada, cheia de energia.” O almoço de Mary e a minha natação com a Luiza são exemplos de pequenos rituais que toda família tem. Há também os grandes, que exercem pelo menos dois papéis. Primeiro, dão a sensação de permanência diante das mudanças sem fim que fazem parte da vida. Depois, eles divertem. “Todo ano, no Natal, a gente produz a TV Peba, um vídeo bem-humorado sobre os acontecimentos familiares do ano”, conta Ana Carolina. “Durante um mês, minha mãe, minha irmã e três primos nos reunimos para produzir o roteiro, os cenários e os figurinos. Também ajudamos as crianças da família a montar a TV Pebinha. Nos divertimos mais fazendo isso do que com o próprio Natal.” |
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1a Publicação |
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Reportagem |