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Elas reinventaram a própria vida |
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Quando minha mulher resolveu jogar para o alto uma carreira de sucesso e voltar a estudar, achei que estava louca. Agora, depois de conversar com várias pessoas que tiveram coragem de mudar, quem está com vontade de partir para outra sou eu!
Minha mulher, Renata, trabalha em banco de investimentos desde o início de sua vida profissional, há quase dez anos. Meses atrás, descobriu que a empresa seria vendida e começou a considerar suas opções. “Sei o que vou fazer depois de sair do banco”, disse-me um dia. Avisou que era algo diferente e pediu que eu tentasse adivinhar. Fiz dez tentativas e desisti. “Quero ser médica”, anunciou. “Pare de rir”, prosseguiu, “estou falando sério.” Procurei entendê-la, mas no fundo pensei: “Tadinha, pirou!” Quando ela se matriculou no cursinho, continuei achando que alguma coisa estava errada. Até sair em campo para escrever esta reportagem. Aí a ficha caiu. “Fazemos parte de um mundo em que tudo é transitório, mutável e passível de transformação”, explica Antônio Roberto Soares, presidente da consultoria Desenvolvimento Humano Ltda., que presta assessoria a empresas, sobretudo em casos de reformulações organizacionais. “A vida é um processo de mudança. Não temos a opção de mudar ou não mudar; só podemos decidir se vamos direcionar as mudanças ou se vamos ser levados a elas pelas circunstâncias.” Em outras palavras, quem não se move acaba sendo atropelado pelos acontecimentos... Para ele, o ser humano passa a vida inteira tentando conseguir algo que não existe: a segurança. Então, na maioria das vezes precisa de um empurrão para dar a virada: em geral, é uma grande paixão ou um grande sofrimento. “Foi o sonho de ver o que havia do outro lado do horizonte que me fez largar uma rotina certinha, com todo o conforto, em Florianópolis”, confirma Heloísa Schürmann, que em 1985 partiu para uma viagem de dois anos num veleiro com o marido e os filhos. A experiência levou-a a rever seus conceitos, que viraram pelo avesso. “Descobri que sou livre, que não existem âncoras, que o tempo para fazer as coisas é agora e que ser é melhor que ter. Encontrei minha força e coragem: sempre achei que existiam, mas você não sabe enquanto não se põe à prova.” Segundo Soares, isso é comum. Quando alteramos um aspecto de nossas vidas, acabamos reinventando todo o resto também. No processo, encontramos paz interior, harmonia, alegria – sensações que decorrem, sobretudo, do exercício de desapego que praticamos para realizar a guinada. Ele acredita que esse desapego nos coloca em sintonia com a realidade de que não somos permanentes. “Ser seguro não significa acabar com a insegurança, mas aceitá-la como inerente à natureza do ser humano”, analisa. E aí veio o estalo. Me dei conta de que era eu quem estava inseguro sobre a mudança da Renata e de como ela afetaria nossa vida. “É justamente o medo que nos paralisa, nos impede de experimentar outros caminhos e de crescer”, esclarece o consultor. Ele se reveste de mil formas: medo de perder o que já conquistamos, medo de sermos criticados ou rejeitados, de sofrermos humilhação ou de ficarmos sozinhos. Para nos escondermos desses temores, adotamos um destes dois recursos: nos fazemos de vítimas ou de heróis. “A vítima coloca a responsabilidade por seus problemas em outras pessoas e circunstâncias”, explica. “Já o herói se convence de que é perfeito, está no controle e não tem por que mudar.” Em ambos os casos, estamos tirando de nós mesmos a possibilidade de desenvolvimento. Por isso, para nos reinventarmos, precisamos estar abertos aos acontecimentos e ver as mudanças como oportunidades. Agora percebo que devo mais é me orgulhar de ser casado com uma mulher que tem a paixão e a coragem necessárias para encarar novos rumos. E, quem sabe, não aproveito o ensejo para tomar as rédeas e mudar o curso da minha vida. Como fizeram as mulheres a seguir. |
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Texto por partes |
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1a Publicação |
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Reportagem |
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