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Elas reinventaram a própria vida |
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Reaprendendo corajosamente a viver, como tetraplégica
Não dá para dizer que a vida da capixaba Simony Garcia, 31 anos, ficou melhor numa cadeira de rodas. Mas, depois do acidente de carro de 15 de julho de 2000, ela tinha apenas duas opções: ou se recriar ou se entregar. Escolheu a primeira. “Quebrei a terceira, a quarta e a quinta vértebra do pescoço, fiquei tetraplégica, mas não abri mão da alegria”, conta. Um ano depois de deixar o hospital, outro choque. “Perguntei ao meu segundo marido o que sentia por mim. Quando falou dor e compaixão, disse a ele para ir embora cuidar da própria vida. Não precisava de pena.” Ela, então, se mudou de Vitória para Linhares, sua cidade natal, com os quatro filhos: atualmente Vinicius está com 9 anos, Larissa e Rafael com 7, e Victor com 3. “Queria criar uma nova roupagem. Em Linhares, renasci, deixei de viver em função do nada.” Logo resgatou alguns dos seus interesses pessoais e profissionais. “Como gostava de pintar desde adolescente, voltei a fazer quadros, só que agora com a boca. Estou até ingressando numa associação suíça de pintores de bocas e pés.” Ela também se recolocou no mercado. Antes do acidente, era apresentadora de tevê em Vitória e webdesigner no Portal Terra. Agora é produtora e editora de comerciais de uma agência de publicidade. “O dono veio até minha casa e me convidou para fazer parte da equipe. Foi como ganhar uma medalha.” A mudança radical de estilo de vida e cidade teve impacto avassalador em sua mentalidade. “Eu tenho uma cabeça muito melhor. Dou valor a outras coisas, especialmente às pessoas. Sou mais atenta aos pequenos gestos, mais sensível. É uma ironia, mas também aprendi que não tenho limitações, vou a festas, curto a vida.” Seu espírito acabou influenciando as pessoas próximas. Pensei que meus filhos teriam vergonha de mim, mas eles sentem orgulho e estão confortáveis a ponto de esquecer a minha condição – às vezes chamam, ‘mãe, vem cá’, antes de se tocarem.” E, assim, Simony encontrou a alegria. “Estou sempre sorrindo. Não sou eu quem vai me puxar pra baixo. O meu lema é tetra, sim, infeliz, não.” |
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1a Publicação |
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Reportagem |