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Guerra dos sexos |
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Política do esporte
Um estudo publicado na revista britânica Nature em 1992 perguntava: “As mulheres vão ultrapassar os homens?”. O estudo analisava a progressão dos recordes mundiais masculinos e femininos em várias modalidades de corrida e demonstrava que, em todas as distâncias, o progresso feminino era ligeiramente maior que o masculino. Com base nisso, os autores da reportagem estimaram que as mulheres venceriam os homens na maratona a partir de 1998 e os alcançariam em outras modalidades em alguma data entre 2015 e 2050. Análise posterior revelou que a metodologia do estudo era falha (se as projeções fossem extrapoladas ainda mais, por exemplo, as mulheres, em 2050, completariam a maratona mais rápido que os homens correm os 800 metros, o que não é possível, obviamente). De fato, o recorde feminino na maratona ainda está longe da melhor marca masculina (veja os gráficos na página ao lado). Num estudo publicado no site esportivo Sportscience News, em 1997, foi demonstrado que, competindo em condições iguais, a performance feminina se aproximou da masculina até os anos 80 e, desde então, os homens vêm se distanciando de novo. Com algumas exceções, como nos esportes pouco convencionais mencionados anteriormente (motocross, automobilismo e hipismo), em geral as marcas masculinas superam as femininas. E esse tem sido o principal argumento para manter os sexos separados no esporte. Enquanto em outras atividades humanas, como o trabalho e a política, as mulheres concorrem de igual para igual com os homens, o esporte permanece um pilar, aparentemente intocável, da desigualdade e da segregação. A justificativa – ou racionalização – é que as mulheres seriam genética e biologicamente menos adaptadas que os homens à maioria dos esportes e que, portanto, seria injusto colocá-las para competir contra eles. Talvez. Durante muito tempo, a participação das mulheres no esporte de alto rendimento foi limitada por crenças, muitas vezes apoiadas pela comunidade científica, de que a atividade física intensa poderia ser prejudicial à sua saúde. Já se disse até que o esporte poderia prejudicar os órgãos reprodutivos femininos e os seios e que o ciclo menstrual interfere no rendimento delas. Por isso, a conquista de um espaço feminino nessa arena é um fenômeno relativamente recente, cujo progresso tem sido lento. Na Grécia antiga, as mulheres nem sequer podiam assistir aos jogos olímpicos. Nos primeiros jogos modernos, em 1900, elas só podiam participar em três modalidades: golfe, tênis e iatismo. O atletismo feminino só foi incorporado às Olimpíadas modernas em 1928, graças aos esforços da francesa Alice Milliat. Diante da recusa do Comitê Olímpico Internacional (COI) em incluir as mulheres, ela organizou, em 1922, as Olimpíadas das Mulheres, um dia de competições de atletismo feminino em Paris. Quatro anos depois, os jogos aconteceram de novo na Suécia. A popularidade e o crescente prestígio do evento assustaram o COI, obrigando seu dirigente, Pierre de Coubertin, a negociar com Milliat a inclusão do atletismo feminino nas Olimpíadas. Mesmo assim, elas continuaram banidas de corridas com mais de 200 metros até 1960 e da maratona até 1984 e tiveram que batalhar por todas essas conquistas. E sempre competindo apenas entre mulheres.
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