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Superado o golpe no ego, percebi que a inversão de papéis é boa não só para o homem como para o relacionamento. Amigos meus que também são lanterninhas financeiros do casal pensam da mesma forma.
Dinheiro é poder. Minha mulher ganha mais do que eu. Logo, minha mulher manda em mim. A lógica indiscutível desse raciocínio apavora os homens. Vemos tantas relações humanas regidas pela máxima “dinheiro é poder” que fica difícil descartá-la quando se trata de nosso casamento. Mas é justo isso que deveríamos fazer. O único poder que existe numa relação conjugal é aquele concedido voluntariamente pelas partes uma à outra. Se minha mulher manda em mim, é porque eu deixo e não por qualquer outro motivo. Só soube que ela ganhava mais quando estávamos noivos, morando juntos, e planejávamos a festa de casamento. Nós mesmos pagaríamos a brincadeira e eu estava achando tudo muito caro e extravagante. “Pena que não vai dar”, disse, ao ser informado do custo para fazer a festa em determinado hotel. Minutos depois, Renata declarava: “Eu pago”. Descobrir que eu era o lanterninha financeiro do casal foi um baque. Considerava minha ascensão profissional louvável. Eu era fora de série. Só que ela era mais. Com o tempo, a situação piorou (ou melhorou). Logo, a renda dela constituía mais que o dobro da minha. Eu fui obrigado a engolir o que acabou sendo um daqueles remédios doces, que a gente gosta de tomar. Houve uma batalha em minha cabeça: meu ego e meus preconceitos contra a consciência dos benefícios da situação. Depois de um curto período de dissonância cognitiva, tudo se resolveu. Me convenci, por fim, de que pouco importava qual de nós ganhava o pão, desde que os dois comessem mais carne. A renda coletiva é a variável-chave que permite desfrutarmos mais a vida. Percebendo isso, desenvolvi o meu bordão: “Comunhão parcial de bens!” Ou seja, todo o patrimônio adquirido depois do casamento pertence aos dois, não importa quem tenha ganho. É exatamente o que digo quando vem à tona o fato de, como executivo de uma grande empresa, ganhar menos que a Renata, que trabalha num banco de investimentos. Nós dois, diga-se de passagem, temos a mesma formação: administração de empresas. |
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Texto por partes |
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Minha mulher ganha mais do que eu. E acho ótimo! |
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