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Texto por partes |
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Liberação masculina Vencido o problema da vaidade, nós, maridos financeiramente inferiores, nos damos conta de que a inversão de papéis tem efeitos muito positivos. Descobrimos que a obrigação de prover e proteger não era uma honra para pais, e sim um fardo e uma limitação. Assim como a obrigação de cuidar do lar e dos filhos era para as mães. A chamada “liberação feminina”, que vem ocorrendo ao longo dos últimos 50 anos, não teve uma contrapartida masculina tão evidente, mas ela ocorreu. Ao derrubarem o muro que nos separava e invadirem o território masculino, as feministas nos fizeram um favor: deixaram indefesos alguns bastiões da feminilidade. E nós estamos tratando de tomá-los. Um desses bastiões é a relação afetiva com os filhos. No passado, o pai carecia de tempo para interagir com as crianças e sua ausência podia acabar relegando-o à condição de carrasco. As mães ameaçavam: “Vou contar pro seu pai quando ele chegar!” Agora, podemos reivindicar o direito de ser pai no melhor sentido da palavra: paizão. “Acho que não existe desafio intelectual mais fascinante que educar uma criança”, explica Paulo. “Nada me dá mais prazer do que perceber que ajudei meus filhos. Hoje sou muito mais feliz. ” Nossa jurisdição se estende também para outras direções. Vale destacar as conquistas na área da gastronomia. Viramos, literalmente, a mesa. Sempre gostamos de comida, mas a cozinha era território das mulheres. “Saia da minha cozinha!”, nos diziam em outros tempos. Não mais. Lá em casa, a fama do bom tempero é minha. A Renata, que também comanda o fogão com prazer, sofre. Rala para me ajudar com algum prato e, quando ele vai à mesa, ouve as pessoas dizendo: “Rodrigo, parabéns! Está maravilhoso!” Ninguém mandou ganhar mais. O Vinícius é outro que tomou posse da cozinha. “Saio mais cedo do trabalho, compro os ingredientes e, na hora que a Patrícia chega em casa, encontra um jantar gostoso à sua espera. Não só curto o ritual como tenho prazer em proporcionar isso a ela.” |
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Minha mulher ganha mais do que eu. E acho ótimo! |
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