Su.za.na (adj.): diz-se de quem tem tendência a encontrar atenuantes razoáveis para as mais extremas faltas alheias

 

                 Quatro de fevereiro de 2007 entrará para a história das relações entre os sexos. Em livros e teses de mestrado, psicólogos e sociólogos que ainda usam fraldas vão registrar a reviravolta definitiva. Nesse dia, a atriz Suzana Vieira perdoou e recebeu de volta à casa – com um delicioso churrasco de boas-vindas – o marido. Reconciliou-se, assim, com o homem que a humilhou publicamente. E, um mês depois, ela ainda teve ânimo para assumir o corno no Fantástico!

                 Vamos aos fatos. No dia 20 de dezembro de 2006, Marcelo da Silva, o policial militar desposado por Suzana, foi preso no motel Queen por agressão a uma garota de programa chamada Fabiana. O veículo da SV Produções, usado pelo PM, foi recuperado dias depois no motel por funcionários da empresa da atriz. Uma vez liberado, Silva internou-se numa clínica de reabilitação da qual saiu direto para o churrasco. Esses acontecimentos foram noticiados por jornais e revistas do país inteiro.

                 Permita reiterar. O marido foi flagrado com outra num motel. Era uma prostituta! Usava o carro da esposa! Estava bêbado ou pior! Isso aconteceu 81 dias depois do casamento!! Cinco dias antes do Natal!!! E todo mundo ficou sabendo!!!! Todo mundo mesmo!!!!! Pior: agora, o casal pode ter de pagar 70 mil reais que Fabiana pede por “danos morais” (um aparte: só no Brasil...).

                 Rapazes, regozijem-se! Suzana Vieira inaugurou um novo padrão de “mulher compreensiva”. As outras podem até dizer que ela já passou um pouco do ponto, mas devem admitir que é bonita, gostosa, simpática, rica e que, portanto, poderia arrumar outro bonitão para chamar de seu num estalar de dedos. Assim, não podem atribuir tal atitude a falta de opção, medo da solidão ou qualquer outra condição, social ou psicológica, desfavorável.

 

Um novo padrão
                 Leia-se: o jogo virou ainda mais a nosso favor. Afinal, o que é chegar em casa trêbado, às 3 da manhã, após uma happy hour com colegas ou um singelo pôquer com amigos frente à robusta obra do senhor Marcelo da Silva? Nada! Os pequenos deslizes pelos quais homens de todas as idades deste Brasil são penalizados há décadas tornaram-se, de uma hora para outra, quase insignificantes.

Graças a Suzana, estamos um pouquinho mais livres. Namorados e maridos não mais sofrerão repreensões, broncas ou mesmo admoestações descabidas. É claro que elas não se tornarão mais tolerantes à infidelidade! Isso é de nascença. Mas, agora, há uma nova escala de gravidade para os delitos conjugais. Estabeleceu-se a mãe de todos os precedentes!

                 O novo padrão exigirá novas atitudes femininas. Ao perceber a chegada do homem atrasado ou bêbado, por exemplo, não será mais do que obrigação da boa companheira ficar quietinha na cama, fingindo sono, e deixá-lo descansar em paz. Aliás, correto mesmo seria oferecer-lhe um café ou uísque. É o mínimo que podemos esperar. O quê? Suzana recebeu seu adúltero com um churrasco!

                 É claro que uma transformação social dessa magnitude não acontece da noite para o dia. Temos de entender se, a princípio, continuarmos sendo espinafrados por ofensas leves. Nesses casos, mantenha a calma e diga, em tom condescendente: “Você está agindo como se tivesse me flagrado num motel com uma prostituta”. Em alguns anos, você poderá dizer: “Poxa, amor, seja mais suzana,” pois o Aurélio há de reconhecer que, de tão inusitada, a atitude merece novo adjetivo.

Então, companheiro, ligue para os amigos e marque uma boa farra. Chute o pau da barraca mesmo. Desligue o celular, deixe o relógio de lado e vá se divertir, vá tomar todas. Quando finalmente encontrá-la, confira se não há uma mudança na atitude de sua digníssima. E depois me conte, porque eu não sou louco de tentar isso em casa.

 

 

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Veículo:

VIP

 

Ediçâo:

No. 265

 

Data:

05/2007

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Ó, Suzana!

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